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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Neologismos culinários

Importante coisa a reter quando queremos menosprezar alguma coisa: dar-lhe um nome do mais fatelo que encontrarmos.
Consciente ou inconscientemente, é isso que muitas pessoas fazem quando se separam.
As mulheres normalmente deixam de chamar o namorado/marido pelo nome, e passa a ser o "Defunto", o "Falecido" e outros funestos quejandos.
Nós, homens, como seres mais sensíveis que têm muito menos de mórbido e muito mais de bucólico, optamos por "vaca", "cabra" e outras simpáticas criaturas de pasto.

Serve este intróito para consubstanciar teoricamente o meu plano para menosprezar e me separar dessa corja deliciosamente malévola que dá pelo nome de "Bolos de Pastelaria".

Pus-me a pensar - o que no meu caso é coisa que queima calorias p'ra caraças - e inventei quatro neologismos culinários que nos vão fazer pensar duas vezes antes de pedir um bolo pela manhã:


1. O Pastel de Nata é um "Pastel que Mata";
2. Quem come Bola de Berlim... "reBola até Berlim"
3. O Mil Folhas faz "Mil Bolhas"
4. E o Palmier não passa de um "Palmierda"


Pronto. Agora quero ver alguém chegar a uma pastelaria e dizer: "Oh fachavôr, dê-me um daqueles Pastéis que Mata." ou "A senhora tem Mil Bolhas?" ou então "Ui... o que me sabia bem era lambusar-me em Palmierda"




CA

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Irritado com o Mil Folhas

Hoje de manhã passei na mesma confeitaria onde passo todas as manhãs para comprar o pão. E como em todas as manhãs em que passo na mesma confeitaria lá está ele a mirar-me: o suculento Mil Folhas com as suas folhinhas macias e finíssimas, qual vestido semi-transparente a deixar entrever, com alguma dose de erotismo culinário, o creme de chocolate.

Esta versão "Cláudia Jacques com um toque de Xica da Silva" já se afigura de per si de difícil resistência. Mas hoje o efeito alucinogénico do desmame glicémico atingiu o auge: o filho da mãe do bolo falou.
Juro que falou. Hoje fitou-me pelo vidro da montra e disse: "Anda. come-me se tens coragem."
Ao que eu respondi: "Nem que fosses a Diana Chaves".
Obviamente, menti-lhe.
Porque ainda consigo discernir que aquilo é um Mil Folhas.

No fim de contas, não o comi. Mas temo o dia em que vou mesmo confundir o Mil Folhas com a Diana Chaves, o Pastel de Nata com a Soraia Chaves ou a Bola de Berlim com a Catarina Furtado, e é ver-me a correr estrada fora com a caixa cinzenta de plástico cheia de bolos na cabeça, qual peixeira canibal com uma canasta de sereias.

CA

PS: Não sei porquê, mas olho para o que acabei de escrever e sinto que devo ter substituído os bolos por qualquer coisa que rima com "margarina".
Cheira-me que sim...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Eu não gosto de bolos

Eu não gosto de bolos...

Uma jovem entra apressadamente na pastelaria numa daquelas frias e ventosas manhãs de Outono.
Sente o leve aroma de um bom pastel de nata acabadinho de fazer.
Não resiste a cometer um pecado...
Isso é gostar de bolos.

Um gajo come 1 Bola de Berlim + 3 pastéis de nata + 2 Cornettos e fica com dores de estômago e má-disposição.
Vê 3 Mil-Folhas mais rijos que calhaus de granito congelados.
Diz para si mesmo "Já chega! Vou só comer 2..."
Isso não é gostar de bolos. Isso é ser VICIADO em bolos.



Mas ninguém acredita que se é viciado em coisas naturalmente aceites pela sociedade.
Não há viciados em bolos. Somos todos gulosos.

Não há viciados em tabaco. Somos todos fumadores.

Não há viciados em demagogia. Somos todos políticos.

Porque é que ninguém ganha coragem e cria os Doçariodependentes Anónimos?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

DF - Estabelecer menu

Se há coisa que irrita em qualquer dieta é a panóplia de teorias alimentares que nos põem à frente.
Já tentei várias sem sucesso. Mesmo assim deixo-as aqui porque acho que são mesmo fantásticas e têm tudo para resultar convosco:

Dieta da Sopa: A base da dieta é uma sopa escanifobética que deve ser consumida a todas as refeições. Para não ficar com aquele travo na boca, acompanhe com dois pacotes de Oreo.

Dieta do Monge: Antes de cada refeição, faça uma pausa de 10 minutos, controle a sua mente e reflicta sobre o que realmente vai comer.
Depois opte pelo Bacalhau com Natas ou o Tagliatelle à Carbonara.

Dieta do Pêssego: Faça o que fizer, não coma pêssegos.

Farto dos inexplicáveis mas recorrentes insucessos estabeleci eu próprio um plano que conjuga boa alimentação e exercício físico regular e no qual confio cegamente - chegando ao ponto de comer de olhos fechados.


MENU INFALÍVEL

Pequeno-almoço: Leite Magro + Pão com fiambre de aves + Sexo;

Meio da manhã: Peça de fruta + 1 bolacha + Sexo;

Almoço: Sopa sem batata, Peixe grelhado sem hidratos, Sexo sem limites;

Lanche 1: Iogurte magro + Audição de uma música de José Castelo Branco (até sentir que já fez 350 abdominais de tanto rir);

Lanche 2: Peça de fruta + bolacha. Abrandar no sexo;

Jantar: Sopa sem batata + Pouca carne + Muita salada + Nada de sexo;

Ceia: Fica ao pé da Serra da Estrela. Gosto muito.


CA

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Dieta Falhada - A decisão

Hoje é o dia.

Farto de procrastinar assuntos sérios com a desculpa de que “Amanhã trato disso”, decidi-me:
“Amanhã” é hoje. “Isso” é fazer dieta. Porque dos que retardam não reza a história...
A menos dos que retardam a ejaculação. Desses as miúdas gostam.

Pois bem, HOJE dia 1 de Setembro começo oficialmente a fazer dieta. Porque não deixo as coisa para amanhã.
E porque decidi isto ontem.

Num momento de grande lucidez a até translucidez declaro guerra à flacidez da mesma forma como tirei os três: sem fazer a menor ideia de como é que vou fazer isto.

Neste momento só sei que estou disposto a fazer dieta e melhorar a minha saúde. Há gente que faz isto para melhorar o aspecto físico, mas eu já dei essa causa como perdida.
Portanto centremo-nos na saúde.

E sei que vou escrever sobre isto. É este detalhe que vai tornar esta dieta inédita melhor que as anteriores 23 dietas similares.
E não vou escrever como escrevem as miúdas, tipo "Fantástico, hoje só comi uma salada de 303,54 calorias!" ou "Sabem que mais? Hoje perdi um centímetro de anca, dois centímetros de coxa e um iPod no Metro! Ri-fixe!"

Não! Chega de diários de meninas! Vamos falar sobre a condição social do dietético, a sua luta titânica com os costumes instituídos e com a sua própria experiência empirista da culinária, o seu reencontro com o "eu" interior enclausurado por sentimentos repressivos e dogmas instituídos, a redescoberta de sabores e fragrâncias perdidas nos confins do tempo...
Enfim, coisas de macho.

Vamos a isto!


CA