sábado, 17 de abril de 2010
E se a moda pega...
- O senhor PM anda manso...
- Manso é a tua tia, pá!
- Sr. PM, este Governo não paga IVA a tempo!
- Olha, mas pago à tua tia, pá!
- Onde é que o sr. PM pensa que vai?
- Vai para a da tua tia, pá!
- Senhor PM somos contra este pacote de medidas...
- O pacote da tua tia, pá!
- O senhor PM está a montar um esquema...
- Eu estou a montar é a tua tia, pá!
Pensem nisto com carinho...
Carinho pela tua tia, pá!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
11 perguntas que ficam do Benfica-Sporting
2. O João Moutinho diz que o campo inclinou na 2ª parte. Puseram o Miguel Veloso a extremo? É que quando o Veloso descai mais para a ala o campo inclina, de facto.
3. Dado que o Sporting afirma que perdeu o jogo porque o Luisão não foi expulso, pode-se resumir as queixas do Sporting na frase "Só levámos banho de bola na 2ª parte porque jogámos 11 contra 11?"
4. Quando o Carvalhal fica caladinho para o Costinha falar é Blackout ou Whiteout?
5. O Liedson jogou?
6. Se o Sporting não percebe que a defesa é fraquinha quando o Ruben Amorim dribla pelo meio de 3 defesas, quando é que vai perceber? Quando o Grimi levar um "cabrito" de um infantil do Casa Pia?
7. O Cardozo quando saiu a coxear estava magoado ou estava a fazer pouco do Tonel?
8. Dado que o Costinha assumiu o posto de "director engravatado que só diz tolices" quais são agora as funções do Salema Garcão?
9. O Carriço era guarda-redes de Futsal quando era mais novo? Aquela saída ao remate do Carlos Martins não engana...
10. O Quim não devia ganhar só meio prémio de jogo derivado de não ter jogado na segunda parte?
11. Aquilo prateado na sola da bota do Luisão são pitons de alumínio ou o aparelho do Liedson?
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Já não se fazem cadernetas como antigamente
Vai daí comprei a caderneta “Futebol 2009-10”, um livrinho onde posso colocar cromos dos viris jogadores da nossa Liga Sagres, bem por cima dos perfis mais abichanadamente assustadores que já vi na minha vida.
Explicando: em baixo de cada cromo há um texto que definiria o perfil do jogador estampado no autocolante. E digo “definiria” se eventualmente o perfil tivesse sido escrito por Gabriel Alves, o único agente do futebol com capacidade de inventar suficientes neologismos para adjectivar mais de 300 jogadores sem nunca se repetir.
O problema é que Gabriel Alves porventura levará um cachet muito elevado. Só assim se explica que se tenha optado por uma guionista de telenovela erótica brasileira.
Mas vamos por partes: por motivos profundamente racionais, nomeadamente a crendice começo logo por ir ver jogadores do Benfica. Debruço-me sobre a estrela Saviola. Não porque goste mais dele do que dos outros, mas se é para me debruçar sobre alguém que seja sobre um gajo com um metro e meio, que assim não tenho de me empoleirar e não me doem as costas.
Ora há tantos adjectivos que definem um jogador de futebol: “Tecnicista”, “virtuoso”, “driblador nato”, “goleador”, “matador”. Era mesmo preciso definir Saviola como “inebriante, fogoso e com uma cartola cheia de requebros”?!
Olhei para a capa para ver se a senhora não me teria enganado e vendido a "Maria". Não, era mesmo um livro de futebol. Tive azar, só pode. Deixa-me cá ir ao Keirrison ver o que dizem do puto:
"Pés de veludo e sedosos que ordenam a bola beijar a rede".
Estou feito. Se o meu filho lê isto vai pensar que o "K11" é diminutivo de "Ken quando a Barbie sai com o homem do talho".
Com medo que fosse alguma perseguição ao Benfica decidi escolher ao acaso outros clubes. Ora qual foi o último clube que o Benfica cilindrou? Exacto, Leixões.
Bom, pai que veja o cromo 95 fica boquiaberto. Pois com que moral se explica a uma criança que Hugo Morais “na esgalha, desbrava o meio-campo do lado esquerdo”, sabendo que ela naturalmente vai perguntar “Oh pai, o que é esgalhar?”
Saltei para outro lado. A quem é que o Benfica ganhou antes do… exacto. Leiria.
E é em Leira que encontro Pedro Cervantes, “o raminho a que se agarra a equipa quando algo não funciona”...
É que nem me vou dar ao trabalho de fazer uma piada com isto.
Abismado com tal estapafurdismo, continuo pela equipa do Leiria e dou de caras com Pateiro, “Cozinheiro de iguarias com veemente sabor a golo”. Desculpem?!
Por esta ordem de ideias, será Javi Garcia um “varredor de meio-campo com veemente cheirinho a alfazema”?
Com o coração benfiquista já apertado, volto à minha equipa e corro a ver-lhe a definição. Ufa… afinal Javi apenas “Tem estampa, sabe o que faz e é intrépido”. Podia ser "corajoso", podia ser "audaz". Mas isso é para meninos. Javi Garcia é "intrépido".
Isto sim, é uma daquelas definições que fazem um puto de 4 anos idolatrar um jogador e dizer “Papá! Papá! Quando for grande quero ser intrépido. Ou isso ou otorrinolaringologista.”
Sabendo nesta altura a 100% que estava de facto a ler uma publicação sobre futebol, sobrava-me apenas uma dúvida: era uma caderneta de cromos ou a secção de classificados do “Record”? Decidi ler mais uns, só para tirar as teimas:
“Requintado, a dar nós cegos e com vontade de seduzir”.
Hum… será o anúncio de Jairson, o sadomasoquista brasileiro da Buraca?
Não. É o cromo de Matias Fernandez, o tecnicista chileno de Alvalade.
Já que estava no Sporting, dei uma espreitadela pelo resto da equipa e fiquei a saber que Tonel é "pegajoso" e que Carriço “respira no pescoço dos avançados”. Ou seja, basicamente a equipa do Sporting é definida de forma claramente mariquinhas.
Também não se podiam enganar sempre.
Concluindo: caros amigos, a caderneta em causa é de boa qualidade e a compra e colagem daqueles pequenos e mágicos autocolantes providencia momentos pai-filho em que se junta passado e presente na mesma paixão, como quando jogamos a dois na Playstation ou vemos em conjunto a FHM.
Porém,por uma questão de coerência faço uma proposta aos criadores do livrinho de cromos, a editora Panini e ao escritor dos perfis, que a ser um homem é possível que também seja um bocadinho panini: mudem os adjectivos para linguagem futebolística.
Ou então mudem o nome da caderneta de “Futebol 2009-10” para “Futeboiola 2009-10”.
CA
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
O Algarvio, esse soldado anti-crise
Bolas, já estava com saudades de uma desgraçazinha.
Após pensar muito sobre o assunto, deu-me para concluir com: ninfomaníacas e algarvios.
Primeiro, porque passar uma crise económica é como viver com uma ninfomaníaca: o truque é ter força, potência, resistência e bastante elasticidade. E sobretudo, aguentar-se de pé.
Se no meio ainda der para dizer “Oh, sim, crise, continua, está-me a saber que nem ginjas!”… óptimo.
Segundo, porque uma crise exige adaptabilidade. E dificilmente existirá um melhor case study de adaptabilidade que o Algarvio.
Atente o(a) leitor(a) no seguinte: conhece algum Algarvio que não saiba falar inglês? Certamente que não. Vislumbra algum Algarvio que, mesmo sendo analfabeto, não saiba ler inglês?! Impossível.
Atrevo-me inclusive a dizer, sem qualquer base estatística mas com o sentimento de convicção que acompanha sempre os ignorantes, que o inglês é de longe o idioma estrangeiro mais dominado no Algarve, à frente do francês, do alemão e do português de Cascais.
Ora surge então a pergunta: o que raio leva o Algarvio a dominar a língua dos bifes? Será um gosto especial por pessoas que põem o volante no lado onde o português põe a mulher? Será o fascínio por apanhar escaldões de meia-noite e andar 90% das férias de manga à cava com uma ventoinha nas costas e 5 litros de Caladryl nos braços?
Não me parece. O Algarvio aprende inglês porque dá dinheiro. Porque viu uma oportunidade. E ao contrário do típico português, fez-se o que se deve fazer em cenários de oportunidade: foi à luta e formou-se.
Interessa agora saber se o Algarvio se formou em inglês no Cambridge ou nos bares da Oura? Se aprendeu num sítio de línguas ou a meter a língua em sítios? Se o método de estudo iniciava com a aprendizagem de “How do you do? My name is Jaquim” ou com a interiorização de “Oh my God! Bang me from behind, you portuguese stallion!”?
Certo que não. O que interessa são os resultados.
Claro que existirão sempre “Velhos do Restelo” que afirmam que não, que a crise não tem cura, que apanha toda a gente, e que se calhar até o Algarvio não é autodidacta, é descendente de camones – atire a primeira pedra quem nunca ouviu a rainha Isabel dizer aos netinhos: “Oh Will and Harry, you bloody marafades”)
Eu cá não comungo de tal amorfismo. E se o leitor também não comunga, faça como eu: pense no Algarvio e vá à luta. Nem que isso signifique ter formação numa luxuosa suite algarvia com uma formadora loura, peituda e sexualmente desenfreada.
A crise exige sacrifícios, com a breca!
PD
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Carta aberta a Jorge Jesus
Jesus,
Deves achar estranho porque Te estou a escrever e nem sequer é Natal. No entanto, desta vez não venho pedir Playstations, não quero nenhum LCD e há muito que já perdi o fascínio por bonecas insufláveis, para ser mais preciso há 14 dias.
Estou-Te a escrever porque Te quero agradecer por teres ouvido as minhas preces. Só Deus – que é como quem diz, o Teu Paizinho – sabe a quantidade de Domingos que eu passei na igreja a clamar “Glória a Jesus! Glória a Jesus!” e a pensar “…e Jesus no Glorioso! E Jesus no Glorioso!”
Grande Jesus, escolheste o clube certo. Os outros intitulam-se “grandes”, mas grande à Tua dimensão só mesmo o Benfica.
O Porto também não era mau, porque nota-se que ali há gente humilde e solidária: aquela malta recebe qualquer pessoa que tenha problemas pessoais. E um apito na boca.
Agora o Sporting, Jesus? Livraste-Te de boa: se aquele plantel soubesse que lá estava Jesus, 90% do treino eram para Te fazerem queixinhas e os outros 10% eram para o João Moutinho Te pedir um Action Man e o Miguel Veloso dizer-Te que o Miguel Veloso pediu-Te para tu lhe dares uma Barbie.
Podes ter alguns problemas de adaptação ao princípio, nomeadamente com o público feminino. Admite: Tu podes ser Jesus, mas para o mulherio benfiquista o Quique era Deus.
Queres um conselho? Esquece isso. O público macho está contigo.
Nomeadamente os casados.
Deixa-me agora que Te diga que, no que depender de mim e dos verdadeiros sócios e simpatizantes do SLB, vais ter paz. Assim como vamos ter paciência para Ti, espero que tenhas paciência para as nossas idiossincrasias, e para a carrada de piadinhas que vais ouvir (parece impossível, mas acredita que há palermas que vão escrever a brincar com o facto de Te chamares Jesus.
Ridículo.)
Como a malta benfiquista já conhece as piadas e gozos todos de cor, derivado de já termos sido presididos por João Vale e Azevedo, vou-te pôr ao corrente de algumas situações que sei de antemão que vão acontecer na próxima época:
1. Todas as capas de Jornais vão associar qualquer efeméride futebolística benfiquista à tua religiosidade, com tiradas do estilo:
- “Nem Jesus os salva”;
- “Aquela defesa é um ‘Ai Jesus’!”
- “Aleluia! Balboa marca um golo”;
- “Jesus dá sermão ao plantel”
- “ Sporting 0 – Benfica 5: Jesus é um Senhor”
2. Ninguém vai querer saber quando fazes anos: toda a gente Te vai dar os parabéns no Natal;
3. No fim-de-semana da Páscoa, até podes ir à frente do campeonato e ganhar a taça da Liga, mas as televisões vão sempre passar filmes de Ti a ser crucificado.
Conselho: desliga a TV na Sexta-feira Santa. E no Sábado de Aleluia. E já agora, no Domingo de Páscoa;
4. No fim do campeonato, não interessa se és campeão. Vais sempre ver lenços brancos. Não Te assustes, que ninguém Te quer mandar embora: são os festejos do 13 de Maio.
“E quem é que Me garante isso”, pensarás Tu. E eu respondo-Te: o Teu instinto. Usa bem os Teus sentidos, e tenta perceber a origem dos milhares de lenços brancos que fores vendo. Porque há uma grande diferença entre dois benfiquistas transtornados a dizer “Oh Jesus, vai para casa!” e duas benfiquistas beatas a cantar “Avé, Avéé, Avé Mariiiiiiaaaaaa…”
Pensa nisto com carinho.
Permite-me que termine com um elogio: gosto do Teu cabelo, pá. Confesso que à primeira vista parece um erro de casting de cabeleireiro, metade pintado de branco e outra metade com raízes pretas. Mas à segunda vista já só parece feio.
E gosto porque sinto que é essa Tua vicissitude capilar que me garante cá dentro que vamos ser campeões. Jesus, a História do Benfica campeão é feita de animais da bola. Sempre foi, desde o Pantera Negra nos anos 60 à Velha Raposa em 2005.
Agora, depois de 4 anos perdidos com indivíduos pouco zoófilos, chegou a Zebra da Táctica. Estou confiante!
Deste sócio e fã,
Juvelino
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Obras Púb(l)icas
• Se está a trovejar e a chover granizo, dizemos que “O tempo está meio farrusco”;
• Se um aluno espanca duas professoras, sete colegas de turma e quatro auxiliares de educação, dizemos que é um “inadaptado”;
• Se torcemos um pé a sair de casa, depois deixamos papéis importante voarem da pasta, depois caímos a entrar para o comboio, depois caímos a sair do comboio, depois caímos sem sequer já estarmos no comboio, depois apanhamos uma chuvada que nos parte o chapéu e nos encharca o melhor fato, depois chegamos atrasados ao emprego e somos despedidos, depois saímos do escritório e somos atropelados por um carro que nos parte as pernas, depois ficamos com fracturas expostas, depois somos operados de emergência às cataratas porque alguém trocou os processos, e depois, à hora da visita, vêm os nossos familiares e têm A LATA de nos perguntar: “Então, como é que está a correr o dia?”… dizemos sempre: “Vai-se andando”.
Só pode ser por esta tentação inata de minimização que chamamos “derrapagens” aos buracos orçamentais das Obras Públicas. Porque uma “derrapagem” está relacionada com algo que desliza mais do que o esperado. Obras Públicas não deslizam mais do que o esperado. Obras Públicas estatelam-se. Sempre. É o tipo de viagem em que toda a gente já sabe que aquilo vai bater antes sequer de ligarmos o motor.
Isso não é “derrapagem”.
Isso é “espetanço premeditado”.
Ora após esta erudita dissertação de âmbito semântico vamos aos factos: na última semana foi noticiada a auditoria de 5 Obras Públicas pelo Tribunal de Contas, que concluiu que o espetanço orçamental total foi de cerca de 241 milhões de euros.
Eu repito: Duzentos-e-quarenta-e-fosse-eu-a-mandar-era-tudo-corrido-à-paulada-E-UM euros. Para se ter noção do escândalo, dava para comprar dois Cristianos Ronaldos e meio.
Excepto se fosse o Estado português a comprar. Aí, dava para ORÇAMENTAR 2,5 CR7.
Depois para o comprar seguiam-se os trâmites normais nestes processos:
1. Alguém se atrasava com os fundos;
2. Geravam-se empréstimos elevados com juros monstruosos;
3. Punha-se uma providência cautelar porque o Ronaldo corre muito rápido e assusta os flamingos do estuário do Tejo;
4. Descobria-se um projecto de erros que alguém diligentemente colocou numa gaveta e ao qual ninguém ligou porque, apesar de dizer “PROJECTO DE ERROS”, estava mesmo ao lado de um exemplar da Playboy com a Cláudia Jacques.
No fim de contas, 241 milhões de euros dava, à vontadinha, para comprar uma nádega do CR7.
O que, bem vistas as coisas, é menos do que ele deixou na casa da Paris Hilton.
No fundo, é como eu disse no início: o português às vezes é um povinho que exagera.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Porque falar mal de árbitros é de macho
Ponto assente: falar de árbitros é uma das actividades mais reconfortantes para um português. Pelas minhas contas, é coisa para ocupar um honroso 4º lugar, logo atrás de “tirar um burrié”, “coçar os genitais”, e “tirar um burrié depois de ter coçado os genitais”. E é reconfortante porque basicamente inclui os dois temas que o português mais aprecia numa conversa: futebol e asneiredo. Não obrigatoriamente por esta ordem.
Confesso porém que, num estádio com milhares de pessoas, há sempre gente que abusa. Há sempre um engraçadinho que se estica bem para além dos comummente aceites "Palhaço", "Gatuno", "Boi Preto" e "Grandessíssimo Filho da P***", e tem o desplante de se referir ao juiz de partida como um enorme “panasca”. Ora dirá o leitor: “Grande coisa, apelidá-lo de homossexual”. E dirá o leitor com menos de 30 anos: “Mas o que raio é um panasca?”
Pois lá está, o problema é que o panasca não é um homossexual. O “panasca” é uma espécie de homossexual extinta no tempo dos meus pais. É o tipo de homossexual que comprava remédios na pharmácia e gostava de acenar ao muy nobre Rey. E quem se atrever a questionar esta tremendamente elaborada e verosímil teoria, atente na última medida anunciada pelo Governo: o primeiro-ministro quer, em 2009, autorizar o casamento entre homossexuais, E eu pergunto: alguém falou nos panascas? Alguém ouviu José Sócrates dizer: “em 2009 comprometemo-nos a promulgar a lei do casamento entre panascas”? Não me parece.
E agora vamos lá ser sinceros: se não falarmos de árbitros, falamos do quê? De picuinhices sem nexo como a finta do Aimar no Restelo, ou aquela jogada em que o Cissokho passa por 4 adversários? Por amor de Deus, fintas dessas vejo eu na rua. O que eu não vejo na rua são tipos com roupa retrorreflectora, de apito na boca a distribuir cartões. Excepto em Sesimbra, na noite do Carnaval.
Admitamos: aquele indivíduo sinistro com um vício compulsivo pelo furto de pontos alheios não é apenas um árbitro: aquilo é um pirilampo-polícia-de-trânsito-vendedor-de-casas. E isso, cá para nós, é do caraças.
Além do mais, falar de jogadores da bola é, com todo o respeito, coisa de abichanados. Passar 90 minutos a admirar tipos musculados a correr e a suar é coisa que não dignifica a masculinidade de um Zé Castelo Branco, quanto mais de um homem.
Ora se há coisa da qual o português não tem culpa, é de ser macho e falar como macho. Já alguém ouviu dois espanhóis num café a falar de um Barcelona-Real Madrid?! “Mira, hombre, tu viste o golo do Messi ontem? Ele esquiva-se tão bem pelo meio dos defesas!” “É verdade, ele tem o centro de gravidade baixo e um corpo muito esguio”. Rabetice.
Ponham lá antes dois portugueses a falar num Benfica-Sporting…“Ouve lá, pá, tu viste aquele fora-de-jogo que aquele filho da p*** do fiscal marcou, pá? F***-se!” “Eh pá, deixa lá isso, temos de ser amigos dos árbitros.” “E eu não sou, pá?! E eu não sou?! Olha, fosse eu a mandar e até punha sebo nas pontas das bandeiras só para não lhes arranhar tanto o cú!”
E isto admitindo que estamos a ver um Benfica-Sporting em escolinhas.
Moral da história: O português fala de árbitros porque é coisa de MACHO. Mandar bocas ao Bruno Paixão está para o adepto como dormir com estrangeiras está para o Zezé Camarinha: Quem não faz é gay. Falar sobre árbitros é coisa para um bigode à Dias Ferreira, para uma barriga à Manuel Serrão, para uma carapinha à Rui Santos.
No dia em que for para falar de bola, façam o “Dia Seguinte” com o Cláudio Ramos e o Nuno Eiró.
E agora fiquem bem, que eu vou ver a primeira parte do Porto-Leixões com olhos de macho, mandar umas bocas valentes à macho, e no intervalo a ver se ponho as duas máquinas de roupa branca a estender e engomo os lençóis de flanela.