quinta-feira, 18 de junho de 2009

Carta aberta a Jorge Jesus

Jesus,

Deves achar estranho porque Te estou a escrever e nem sequer é Natal. No entanto, desta vez não venho pedir Playstations, não quero nenhum LCD e há muito que já perdi o fascínio por bonecas insufláveis, para ser mais preciso há 14 dias.

Estou-Te a escrever porque Te quero agradecer por teres ouvido as minhas preces. Só Deus – que é como quem diz, o Teu Paizinho – sabe a quantidade de Domingos que eu passei na igreja a clamar “Glória a Jesus! Glória a Jesus!” e a pensar “…e Jesus no Glorioso! E Jesus no Glorioso!”

Grande Jesus, escolheste o clube certo. Os outros intitulam-se “grandes”, mas grande à Tua dimensão só mesmo o Benfica.
O Porto também não era mau, porque nota-se que ali há gente humilde e solidária: aquela malta recebe qualquer pessoa que tenha problemas pessoais. E um apito na boca.
Agora o Sporting, Jesus? Livraste-Te de boa: se aquele plantel soubesse que lá estava Jesus, 90% do treino eram para Te fazerem queixinhas e os outros 10% eram para o João Moutinho Te pedir um Action Man e o Miguel Veloso dizer-Te que o Miguel Veloso pediu-Te para tu lhe dares uma Barbie.

Podes ter alguns problemas de adaptação ao princípio, nomeadamente com o público feminino. Admite: Tu podes ser Jesus, mas para o mulherio benfiquista o Quique era Deus.
Queres um conselho? Esquece isso. O público macho está contigo.
Nomeadamente os casados.

Deixa-me agora que Te diga que, no que depender de mim e dos verdadeiros sócios e simpatizantes do SLB, vais ter paz. Assim como vamos ter paciência para Ti, espero que tenhas paciência para as nossas idiossincrasias, e para a carrada de piadinhas que vais ouvir (parece impossível, mas acredita que há palermas que vão escrever a brincar com o facto de Te chamares Jesus.
Ridículo.)


Como a malta benfiquista já conhece as piadas e gozos todos de cor, derivado de já termos sido presididos por João Vale e Azevedo, vou-te pôr ao corrente de algumas situações que sei de antemão que vão acontecer na próxima época:

1. Todas as capas de Jornais vão associar qualquer efeméride futebolística benfiquista à tua religiosidade, com tiradas do estilo:

- “Nem Jesus os salva”;
- “Aquela defesa é um ‘Ai Jesus’!”
- “Aleluia! Balboa marca um golo”;
- “Jesus dá sermão ao plantel”
- “ Sporting 0 – Benfica 5: Jesus é um Senhor”

2. Ninguém vai querer saber quando fazes anos: toda a gente Te vai dar os parabéns no Natal;

3. No fim-de-semana da Páscoa, até podes ir à frente do campeonato e ganhar a taça da Liga, mas as televisões vão sempre passar filmes de Ti a ser crucificado.
Conselho: desliga a TV na Sexta-feira Santa. E no Sábado de Aleluia. E já agora, no Domingo de Páscoa;

4. No fim do campeonato, não interessa se és campeão. Vais sempre ver lenços brancos. Não Te assustes, que ninguém Te quer mandar embora: são os festejos do 13 de Maio.
“E quem é que Me garante isso”, pensarás Tu. E eu respondo-Te: o Teu instinto. Usa bem os Teus sentidos, e tenta perceber a origem dos milhares de lenços brancos que fores vendo. Porque há uma grande diferença entre dois benfiquistas transtornados a dizer “Oh Jesus, vai para casa!” e duas benfiquistas beatas a cantar “Avé, Avéé, Avé Mariiiiiiaaaaaa…”
Pensa nisto com carinho.


Permite-me que termine com um elogio: gosto do Teu cabelo, pá. Confesso que à primeira vista parece um erro de casting de cabeleireiro, metade pintado de branco e outra metade com raízes pretas. Mas à segunda vista já só parece feio.
E gosto porque sinto que é essa Tua vicissitude capilar que me garante cá dentro que vamos ser campeões. Jesus, a História do Benfica campeão é feita de animais da bola. Sempre foi, desde o Pantera Negra nos anos 60 à Velha Raposa em 2005.
Agora, depois de 4 anos perdidos com indivíduos pouco zoófilos, chegou a Zebra da Táctica. Estou confiante!


Deste sócio e fã,


Juvelino

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Obras Púb(l)icas

O português às vezes é um povinho deveras eufemista:
• Se está a trovejar e a chover granizo, dizemos que “O tempo está meio farrusco”;
• Se um aluno espanca duas professoras, sete colegas de turma e quatro auxiliares de educação, dizemos que é um “inadaptado”;
• Se torcemos um pé a sair de casa, depois deixamos papéis importante voarem da pasta, depois caímos a entrar para o comboio, depois caímos a sair do comboio, depois caímos sem sequer já estarmos no comboio, depois apanhamos uma chuvada que nos parte o chapéu e nos encharca o melhor fato, depois chegamos atrasados ao emprego e somos despedidos, depois saímos do escritório e somos atropelados por um carro que nos parte as pernas, depois ficamos com fracturas expostas, depois somos operados de emergência às cataratas porque alguém trocou os processos, e depois, à hora da visita, vêm os nossos familiares e têm A LATA de nos perguntar: “Então, como é que está a correr o dia?”… dizemos sempre: “Vai-se andando”.

Só pode ser por esta tentação inata de minimização que chamamos “derrapagens” aos buracos orçamentais das Obras Públicas. Porque uma “derrapagem” está relacionada com algo que desliza mais do que o esperado. Obras Públicas não deslizam mais do que o esperado. Obras Públicas estatelam-se. Sempre. É o tipo de viagem em que toda a gente já sabe que aquilo vai bater antes sequer de ligarmos o motor.
Isso não é “derrapagem”.
Isso é “espetanço premeditado”.

Ora após esta erudita dissertação de âmbito semântico vamos aos factos: na última semana foi noticiada a auditoria de 5 Obras Públicas pelo Tribunal de Contas, que concluiu que o espetanço orçamental total foi de cerca de 241 milhões de euros.
Eu repito: Duzentos-e-quarenta-e-fosse-eu-a-mandar-era-tudo-corrido-à-paulada-E-UM euros. Para se ter noção do escândalo, dava para comprar dois Cristianos Ronaldos e meio.
Excepto se fosse o Estado português a comprar. Aí, dava para ORÇAMENTAR 2,5 CR7.
Depois para o comprar seguiam-se os trâmites normais nestes processos:
1. Alguém se atrasava com os fundos;
2. Geravam-se empréstimos elevados com juros monstruosos;
3. Punha-se uma providência cautelar porque o Ronaldo corre muito rápido e assusta os flamingos do estuário do Tejo;
4. Descobria-se um projecto de erros que alguém diligentemente colocou numa gaveta e ao qual ninguém ligou porque, apesar de dizer “PROJECTO DE ERROS”, estava mesmo ao lado de um exemplar da Playboy com a Cláudia Jacques.

No fim de contas, 241 milhões de euros dava, à vontadinha, para comprar uma nádega do CR7.
O que, bem vistas as coisas, é menos do que ele deixou na casa da Paris Hilton.

No fundo, é como eu disse no início: o português às vezes é um povinho que exagera.

domingo, 12 de abril de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009