Ontem ao passar numa papelaria avistei uma simpática caderneta de futebol e veio-me aquele espírito meio paternal meio saudosista, que é como quem diz "Ter filhos é uma desculpa do caraças para voltar a ser puto".
Vai daí comprei a caderneta “Futebol 2009-10”, um livrinho onde posso colocar cromos dos viris jogadores da nossa Liga Sagres, bem por cima dos perfis mais abichanadamente assustadores que já vi na minha vida.
Explicando: em baixo de cada cromo há um texto que definiria o perfil do jogador estampado no autocolante. E digo “definiria” se eventualmente o perfil tivesse sido escrito por Gabriel Alves, o único agente do futebol com capacidade de inventar suficientes neologismos para adjectivar mais de 300 jogadores sem nunca se repetir.
O problema é que Gabriel Alves porventura levará um cachet muito elevado. Só assim se explica que se tenha optado por uma guionista de telenovela erótica brasileira.
Mas vamos por partes: por motivos profundamente racionais, nomeadamente a crendice começo logo por ir ver jogadores do Benfica. Debruço-me sobre a estrela Saviola. Não porque goste mais dele do que dos outros, mas se é para me debruçar sobre alguém que seja sobre um gajo com um metro e meio, que assim não tenho de me empoleirar e não me doem as costas.
Ora há tantos adjectivos que definem um jogador de futebol: “Tecnicista”, “virtuoso”, “driblador nato”, “goleador”, “matador”. Era mesmo preciso definir Saviola como “inebriante, fogoso e com uma cartola cheia de requebros”?!
Olhei para a capa para ver se a senhora não me teria enganado e vendido a "Maria". Não, era mesmo um livro de futebol. Tive azar, só pode. Deixa-me cá ir ao Keirrison ver o que dizem do puto:
"Pés de veludo e sedosos que ordenam a bola beijar a rede".
Estou feito. Se o meu filho lê isto vai pensar que o "K11" é diminutivo de "Ken quando a Barbie sai com o homem do talho".
Com medo que fosse alguma perseguição ao Benfica decidi escolher ao acaso outros clubes. Ora qual foi o último clube que o Benfica cilindrou? Exacto, Leixões.
Bom, pai que veja o cromo 95 fica boquiaberto. Pois com que moral se explica a uma criança que Hugo Morais “na esgalha, desbrava o meio-campo do lado esquerdo”, sabendo que ela naturalmente vai perguntar “Oh pai, o que é esgalhar?”
Saltei para outro lado. A quem é que o Benfica ganhou antes do… exacto. Leiria.
E é em Leira que encontro Pedro Cervantes, “o raminho a que se agarra a equipa quando algo não funciona”...
É que nem me vou dar ao trabalho de fazer uma piada com isto.
Abismado com tal estapafurdismo, continuo pela equipa do Leiria e dou de caras com Pateiro, “Cozinheiro de iguarias com veemente sabor a golo”. Desculpem?!
Por esta ordem de ideias, será Javi Garcia um “varredor de meio-campo com veemente cheirinho a alfazema”?
Com o coração benfiquista já apertado, volto à minha equipa e corro a ver-lhe a definição. Ufa… afinal Javi apenas “Tem estampa, sabe o que faz e é intrépido”. Podia ser "corajoso", podia ser "audaz". Mas isso é para meninos. Javi Garcia é "intrépido".
Isto sim, é uma daquelas definições que fazem um puto de 4 anos idolatrar um jogador e dizer “Papá! Papá! Quando for grande quero ser intrépido. Ou isso ou otorrinolaringologista.”
Sabendo nesta altura a 100% que estava de facto a ler uma publicação sobre futebol, sobrava-me apenas uma dúvida: era uma caderneta de cromos ou a secção de classificados do “Record”? Decidi ler mais uns, só para tirar as teimas:
“Requintado, a dar nós cegos e com vontade de seduzir”.
Hum… será o anúncio de Jairson, o sadomasoquista brasileiro da Buraca?
Não. É o cromo de Matias Fernandez, o tecnicista chileno de Alvalade.
Já que estava no Sporting, dei uma espreitadela pelo resto da equipa e fiquei a saber que Tonel é "pegajoso" e que Carriço “respira no pescoço dos avançados”. Ou seja, basicamente a equipa do Sporting é definida de forma claramente mariquinhas.
Também não se podiam enganar sempre.
Concluindo: caros amigos, a caderneta em causa é de boa qualidade e a compra e colagem daqueles pequenos e mágicos autocolantes providencia momentos pai-filho em que se junta passado e presente na mesma paixão, como quando jogamos a dois na Playstation ou vemos em conjunto a FHM.
Porém,por uma questão de coerência faço uma proposta aos criadores do livrinho de cromos, a editora Panini e ao escritor dos perfis, que a ser um homem é possível que também seja um bocadinho panini: mudem os adjectivos para linguagem futebolística.
Ou então mudem o nome da caderneta de “Futebol 2009-10” para “Futeboiola 2009-10”.
CA
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Resultados da sondagem - Semana II
Após os debates realizados esta semana, qual o candidato de que menos gosta?
1. Só grito Jerónimo quando salto dos aviões
2. Não posso com a arrogância do Sócrates, pá!
3. O Louçã é agressivo e eu depois não consigo dormir à noite...
4. Oh Portas, Sound-byte-embora!
5. A MFL lembra-me leite quente e bolachinhas, modos que adormeço...
6. O que me irrita mesmo à séria é festejar golos do Liedson!
Votos apurados: 72
1. Só grito Jerónimo quando salto dos aviões
2. Não posso com a arrogância do Sócrates, pá!
3. O Louçã é agressivo e eu depois não consigo dormir à noite...
4. Oh Portas, Sound-byte-embora!
5. A MFL lembra-me leite quente e bolachinhas, modos que adormeço...
6. O que me irrita mesmo à séria é festejar golos do Liedson!
Votos apurados: 72
sábado, 12 de setembro de 2009
São 8 da manhã... pergunta matinal:
Se vocês acordarem sobressaltados às 7.45h porque tocou um despertador que a criatura desmiolada que partilha a cama convosco disse que tocava às OITO e 45... o que fazer?
a) Admitir que a pobre alma é espanhola e tem um fuso horário na cabeça?
OU
b) Dar-lhe tanta paulada na cabeça até ficar com fuso horário?
A bem de uma relação duradoira, vou optar pela c)... tomar um banho e pensar em ovelinhas a balir pelo pasto fora...
Fiquem "Bé-e-e-e-e-e-em"!
CA
a) Admitir que a pobre alma é espanhola e tem um fuso horário na cabeça?
OU
b) Dar-lhe tanta paulada na cabeça até ficar com fuso horário?
A bem de uma relação duradoira, vou optar pela c)... tomar um banho e pensar em ovelinhas a balir pelo pasto fora...
Fiquem "Bé-e-e-e-e-e-em"!
CA
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Neologismos culinários
Importante coisa a reter quando queremos menosprezar alguma coisa: dar-lhe um nome do mais fatelo que encontrarmos.
Consciente ou inconscientemente, é isso que muitas pessoas fazem quando se separam.
As mulheres normalmente deixam de chamar o namorado/marido pelo nome, e passa a ser o "Defunto", o "Falecido" e outros funestos quejandos.
Nós, homens, como seres mais sensíveis que têm muito menos de mórbido e muito mais de bucólico, optamos por "vaca", "cabra" e outras simpáticas criaturas de pasto.
Serve este intróito para consubstanciar teoricamente o meu plano para menosprezar e me separar dessa corja deliciosamente malévola que dá pelo nome de "Bolos de Pastelaria".
Pus-me a pensar - o que no meu caso é coisa que queima calorias p'ra caraças - e inventei quatro neologismos culinários que nos vão fazer pensar duas vezes antes de pedir um bolo pela manhã:
1. O Pastel de Nata é um "Pastel que Mata";
2. Quem come Bola de Berlim... "reBola até Berlim"
3. O Mil Folhas faz "Mil Bolhas"
4. E o Palmier não passa de um "Palmierda"
Pronto. Agora quero ver alguém chegar a uma pastelaria e dizer: "Oh fachavôr, dê-me um daqueles Pastéis que Mata." ou "A senhora tem Mil Bolhas?" ou então "Ui... o que me sabia bem era lambusar-me em Palmierda"
CA
Consciente ou inconscientemente, é isso que muitas pessoas fazem quando se separam.
As mulheres normalmente deixam de chamar o namorado/marido pelo nome, e passa a ser o "Defunto", o "Falecido" e outros funestos quejandos.
Nós, homens, como seres mais sensíveis que têm muito menos de mórbido e muito mais de bucólico, optamos por "vaca", "cabra" e outras simpáticas criaturas de pasto.
Serve este intróito para consubstanciar teoricamente o meu plano para menosprezar e me separar dessa corja deliciosamente malévola que dá pelo nome de "Bolos de Pastelaria".
Pus-me a pensar - o que no meu caso é coisa que queima calorias p'ra caraças - e inventei quatro neologismos culinários que nos vão fazer pensar duas vezes antes de pedir um bolo pela manhã:
1. O Pastel de Nata é um "Pastel que Mata";
2. Quem come Bola de Berlim... "reBola até Berlim"
3. O Mil Folhas faz "Mil Bolhas"
4. E o Palmier não passa de um "Palmierda"
Pronto. Agora quero ver alguém chegar a uma pastelaria e dizer: "Oh fachavôr, dê-me um daqueles Pastéis que Mata." ou "A senhora tem Mil Bolhas?" ou então "Ui... o que me sabia bem era lambusar-me em Palmierda"
CA
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Irritado com o Mil Folhas
Hoje de manhã passei na mesma confeitaria onde passo todas as manhãs para comprar o pão. E como em todas as manhãs em que passo na mesma confeitaria lá está ele a mirar-me: o suculento Mil Folhas com as suas folhinhas macias e finíssimas, qual vestido semi-transparente a deixar entrever, com alguma dose de erotismo culinário, o creme de chocolate.
Esta versão "Cláudia Jacques com um toque de Xica da Silva" já se afigura de per si de difícil resistência. Mas hoje o efeito alucinogénico do desmame glicémico atingiu o auge: o filho da mãe do bolo falou.
Juro que falou. Hoje fitou-me pelo vidro da montra e disse: "Anda. come-me se tens coragem."
Ao que eu respondi: "Nem que fosses a Diana Chaves".
Obviamente, menti-lhe.
Porque ainda consigo discernir que aquilo é um Mil Folhas.
No fim de contas, não o comi. Mas temo o dia em que vou mesmo confundir o Mil Folhas com a Diana Chaves, o Pastel de Nata com a Soraia Chaves ou a Bola de Berlim com a Catarina Furtado, e é ver-me a correr estrada fora com a caixa cinzenta de plástico cheia de bolos na cabeça, qual peixeira canibal com uma canasta de sereias.
CA
PS: Não sei porquê, mas olho para o que acabei de escrever e sinto que devo ter substituído os bolos por qualquer coisa que rima com "margarina".
Cheira-me que sim...
Esta versão "Cláudia Jacques com um toque de Xica da Silva" já se afigura de per si de difícil resistência. Mas hoje o efeito alucinogénico do desmame glicémico atingiu o auge: o filho da mãe do bolo falou.
Juro que falou. Hoje fitou-me pelo vidro da montra e disse: "Anda. come-me se tens coragem."
Ao que eu respondi: "Nem que fosses a Diana Chaves".
Obviamente, menti-lhe.
Porque ainda consigo discernir que aquilo é um Mil Folhas.
No fim de contas, não o comi. Mas temo o dia em que vou mesmo confundir o Mil Folhas com a Diana Chaves, o Pastel de Nata com a Soraia Chaves ou a Bola de Berlim com a Catarina Furtado, e é ver-me a correr estrada fora com a caixa cinzenta de plástico cheia de bolos na cabeça, qual peixeira canibal com uma canasta de sereias.
CA
PS: Não sei porquê, mas olho para o que acabei de escrever e sinto que devo ter substituído os bolos por qualquer coisa que rima com "margarina".
Cheira-me que sim...
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